domingo, 21 de outubro de 2012


                                                O que somos e o que não somos.


                                                       1. O inimigo e o culpado.

                            Temos, cada um, um inimigo (genético), e os culpados que apontamos.

                         Imaginemos como era a vida na pré-história. Coisa de 4.000 anos para trás, ou seja, desde o surgimento da vida na Terra até o aparecimento da escrita. Tempos em que todos viviam numa mistura só. Em cavernas e ao relento. A noite chegava e era um terror. Bem conhecemos as dificuldades enfrentadas pelos animais selvagens na luta diária pela sobrevivência. Naquela mixórdia, viviam os primeiros humanos.
                            Na luta diária pela comida, cada um tinha suas presas fáceis, e também seus inimigos.
                     Tanto tempo depois, muitas coisas por que passaram nossos ancestrais se tornaram marcas e hoje as temos como herança. Como o ridículo cacoete do cachorro que tenta derrubar cada poste que encontra com um mixuruca jato de urina, temos o soluço, o ronco (o roncador dormia na entrada da caverna para espantar os eventuais intrusos), fazer cocô de cócoras (será uma herança?), etc, e um inimigo. Mental ou real.
                           Eu tenho um. Mental. Quando sou contrariado, ou alguma coisa não vai bem, eu parto pra briga, chutando, berrando, dizendo-lhe um milhão de verdades. Às vezes até me pego gesticulando e fazendo caretas. A minha sorte é que o meu verdadeiro inimigo, o real, foi enfrentado por meus antepassados. Melhor assim. Há muitos que, ao contrário, elegem alguém, colega ou parente, para personificar sua herança.
                         Numa roda de amigos, após alguns encontros, é muito fácil descobrir o inimigo de cada um. Não faz bem ter inimigos, pois o ódio faz mal. O ódio é uma coisa gosmenta, esverdeada, sufocante, que escorre pela alma. O problema maior é quando o próprio companheiro é eleito como inimigo. As culpas passam a ter um autor. E a vida vira um fardo sem graça.
                    O segredo do bem viver está em descobrir quem é o nosso infeliz eleito. Se inimigo mental, quando ele insistir em aparecer, devemos mandá-lo de volta para a pré-história. Se real, transmutá-lo em amigo.
                         Não há como conviver com inimigos. As culpas são invencionices de cabeças com 4.000 anos, ou mais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário