sábado, 13 de outubro de 2012



                              A traição (excerto).

Na reta das três pontes ele parou. Para tomar uma decisão.
Nós aqui, juntos, até que poderíamos bolar uma série de justificativas plausíveis, caso estivéssemos no lugar dele para – sentados na cozinha – com a maior cara de pau, enganarmos a doce Amélia. Mas Jójó Tabica, depois de uma tarde de sexo extenuante com mulher nova insaciável, de um ronco pesado de quase dez horas, da escuridão não programada, do colapso da bateria, da sapecada na guria, do Grunevau, da história da ambulância, não conseguiu nada, nada que satisfizesse.
Aí, como Thelma e Louise no Grand Canyon, alucinado, acelerou violentamente o corcel 75 sempre em frente e, chegando na avenida Beira Mar, arremessou-o nas águas da Baía Norte. Tentou o suicídio.
O azar do Jójó é que a maré estava baixa e o carro enterrou no lodo.
Foi um Deus nos acuda, tirar dali, daquele monte de ferro velho, aquele homem arrebentado, desacordado.
Na tardinha daquele dia, tão logo voltou a si, Tabica, todo enfaixado, desesperado, fugiu do hospital, pegou um táxi e foi para casa. Ao chegar, sentiu-se aliviado. Enfim, tudo estava terminando ali. Aquilo nunca mais que iria acontecer, ele jurava!
Mas quase explodiu de raiva pois bateu, bateu, e a mulher não apareceu.
– Tá estar tudo melecado. Agora, que eu tenho ter uma boa desculpa eu tenho ter! – confortou-se, enquanto batia na casa da vizinha.
Quando a Dona Esmerilda apareceu, e viu Tabica, para não cair, agarrou-se na porta.
– Jójó, seu desgraçado! Onde que tu andasse, home, que nem no enterro da tua mulher tu aparecesse? Desd'onte no meio dia que nós te procuramo por tudo e tu sumisse, home! A gente até pensou que tu também tinha morrido!

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