Tanto pediram, que Deus escutou. E quando Deus escuta, não é como
repartição, sai na hora. Não tinham caminhado quinhentos metros, quando
apareceu lá na frente, puxando um poeirão pelo rabo, um caminhão.
As três se jogaram na estrada. O motorista, assustado, foi obrigado a
parar. Saltou e foi até elas. Quando viram que a condução estava segura, foram,
uma a uma, dando a mão para o motorista.
– O quê que foi? Querem morrer as três? Isso não se faz! Olha que foi por
pouco! Eu nunca vi disso.
– Pelo amor de Deus, seu moço! Acode! Socorro! Socode!
O homem viu que tinha que esperar para poder saber a história daquelas
loucas suicidas.
– Moço, nós somos lá de baixo. Viemos visitar a nossa prima Bitinha, que
mora no Aririú, e nos perdemos.
– Mas vocês estão no Aririú de Cima, e então?
– Ainda estamos? Graças a Deus! Deus seja louvado!
– Bitinha? Eu conheço uma, da Vargem Grande. É uma velhinha que mora numa
casinha na beira da estrada. Mas é lá na Vargem Grande.
– Vargem Grande? – intrigou-se Brunde.
– É, lá pra cima.
– Mas a nossa prima mora no Aririú, ressaltou Branda.
– Quem sabe aquela mulher errou, Brunde? – questionou Brida – tanto
tempo, ela pode ter mudado.
– O senhor vai pra lá?
– Eu vou passar perto.
Neste momento, Branda puxou Brunde pelo braço e sussurou:
– Tou com apertume.
– Espera.
– Não posso esperar.
– Eu tô ligando pro teu apertume? Come igual a uma condenada.
Brida aproveitou e vingou-se:
– É lingüiça demais.
– Cala a boca, deixa eu falar com o moço. O senhor tem horas?
– Três e meia. Olha, se querem eu levo, mas tem que ser agora.
– O senhor não espera a minha irmã? ... ela tá necessitada.
– Eu não posso fazer nada por ela, minha senhora.
– Mesmo eu não estou lhe pedindo. Eu só estou perguntando se o senhor
pode esperar um pouquinho até ela...
– Ela está doente?
– Não, senhor, não, a Brandinha não escuta aviso, é igual a coelho, come
sem parar e aí, olha o que acontece.
– Olha, minha senhora, eu tenho muito o que fazer pra ficar esperando
carona fazer cocô. A senhora desculpe, eu vou pra bem longe.
Ligou o caminhão e arrancou. E arrancou-se.
As três ficaram ali, paradas, sem saber o que fazer. Brunde e Brida
olharam para a problemática, ameaçadoras. Branda tomou atitude:
– Prefiro perder passagem do que ficar segurando aparência.
E correu para o mato. E gritou:
– Fiquem aí, não me deixem só!
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