Resumo.
Época – 15 out 2012 – pag. 76
DESACELERE
Danilo
Venticinque
...
eu desaprendi a esperar antes de tomar decisões.
Frank
Partnoy, professor de Finanças da Universidade de San Diego, que lançará no
Brasil o livro “Como fazer a
escolha certa” (Campus), afirma: “no passado, a demora para decidir costumava ser valorizada.
Poucos líderes têm a coragem de dizer que não estão prontos para tomar uma
decisão e precisam de mais tempo”.
Regra
dos dois segundos: tempo necessário para que um especialista forme uma
opinião (geralmente correta) sobre um caso, antes mesmo de conseguir elaborar
uma explicação racional.
Para
nos tornarmos mais eficientes e tomarmos decisões melhores, o segredo está na
arte de esperar.
Partnoy
afirma que “as decisões mais eficientes não são tomadas por pessoas que seguem
sua intuição, mas sim por aquelas que adiam ao máximo o momento de decidir e
usam o tempo extra para amadurecer suas idéias”.
Dependendo
das circunstâncias, pode ser vantajoso esperar por segundos, dias, meses e até
anos antes de agir.
Obama
usa pausas longas em momentos estratégicos de sua fala para convencer e
emocionar sua platéia. Por ser inesperadas, as interrupções na fala causam
efeito dramático e prendem a audiência.
Na
fala, pausas de alguns segundos podem fazer a diferença entre uma fala
comovente e um amontoado desinteressante de palavras.
Se
você quiser chamar mais a atenção para o que diz e aumentar suas chances de
ganhar seus ouvintes, experimente falar
mais pausadamente. “Oradores que fazem pausas curtas são mais convincentes
do que aqueles que falam de maneira perfeitamente fluente”, diz Partnoy.
Na
avaliação de um parceiro, uma rejeição prematura pode fazer com que deixemos de
perceber qualidades que admiraríamos ou de descobrir que a má impressão fora
causada pelo nervosismo do primeito encontro.
Ninguém
quer ser rejeitado em frações de segundo.
Na
obra “Rápido e devagar”, Daniel Kahneman, Prêmio Nobel de Economia, afirma: “a confiança que temos em nossas crenças e preferências em geral
é justificada. Mas nem sempre. Muitas vezes estamos confiantes mesmo quando
estamos errados”.
Quanto
menos tempo paramos para pensar em nossas decisões, maiores as chances de não
evitarmos nossos enganos intuitivos.
Até para as máquinas, na escala dos
milissegundos, esperar um pouco pode ser bom.
Warren
Buffett afirmou: “não somos pagos por atividade; somos pagos apenas quando
acertamos. E, quanto ao tempo máximo de espera, podemos esperar indefinidamente”.
As
pessoas que tomam decisões lentamente não deveriam se sentir culpadas por isso,
e sim se aprimorar na arte da espera, afirma Partnoy.
Não
há motivo para agirmos instintivamente com tanta frequência, afirma Partnoy.
Buffett
define seu estilo de investimento como “uma letargia beirando a preguiça”.
Segundo ele, o importante não é manter-se em atividade, e sim tomar decisões
certas.
Com
tempo para analisar a situação, um bom estrategista é capaz de propor soluções
criativas que um líder precipitado jamais imaginaria.
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