quarta-feira, 31 de outubro de 2012


Resumo.

Época – 15 out 2012 – pag. 76


                                         DESACELERE

                                    Danilo Venticinque

            ... eu desaprendi a esperar antes de tomar decisões.

            Frank Partnoy, professor de Finanças da Universidade de San Diego, que lançará no Brasil o livro “Como fazer a escolha certa” (Campus), afirma: “no passado, a demora para decidir costumava ser valorizada. Poucos líderes têm a coragem de dizer que não estão prontos para tomar uma decisão e precisam de mais tempo”.
            Regra dos dois segundos: tempo necessário para que um especialista forme uma opinião (geralmente correta) sobre um caso, antes mesmo de conseguir elaborar uma explicação racional.
            Para nos tornarmos mais eficientes e tomarmos decisões melhores, o segredo está na arte de esperar.
            Partnoy afirma que “as decisões mais eficientes não são tomadas por pessoas que seguem sua intuição, mas sim por aquelas que adiam ao máximo o momento de decidir e usam o tempo extra para amadurecer suas idéias”.
            Dependendo das circunstâncias, pode ser vantajoso esperar por segundos, dias, meses e até anos antes de agir.
            Obama usa pausas longas em momentos estratégicos de sua fala para convencer e emocionar sua platéia. Por ser inesperadas, as interrupções na fala causam efeito dramático e prendem a audiência.
            Na fala, pausas de alguns segundos podem fazer a diferença entre uma fala comovente e um amontoado desinteressante de palavras.
            Se você quiser chamar mais a atenção para o que diz e aumentar suas chances de ganhar seus ouvintes, experimente falar mais pausadamente. “Oradores que fazem pausas curtas são mais convincentes do que aqueles que falam de maneira perfeitamente fluente”, diz Partnoy.
            Na avaliação de um parceiro, uma rejeição prematura pode fazer com que deixemos de perceber qualidades que admiraríamos ou de descobrir que a má impressão fora causada pelo nervosismo do primeito encontro.
            Ninguém quer ser rejeitado em frações de segundo.
            Na obra “Rápido e devagar”, Daniel Kahneman, Prêmio Nobel de Economia, afirma: “a confiança que temos em nossas crenças e preferências em geral é justificada. Mas nem sempre. Muitas vezes estamos confiantes mesmo quando estamos errados”.
            Quanto menos tempo paramos para pensar em nossas decisões, maiores as chances de não evitarmos nossos enganos intuitivos.
Até para as máquinas, na escala dos milissegundos, esperar um pouco pode ser bom.
            Warren Buffett afirmou: “não somos pagos por atividade; somos pagos apenas quando acertamos. E, quanto ao tempo máximo de espera, podemos esperar indefinidamente”.
            As pessoas que tomam decisões lentamente não deveriam se sentir culpadas por isso, e sim se aprimorar na arte da espera, afirma Partnoy.
            Não há motivo para agirmos instintivamente com tanta frequência, afirma Partnoy.
            Buffett define seu estilo de investimento como “uma letargia beirando a preguiça”. Segundo ele, o importante não é manter-se em atividade, e sim tomar decisões certas.
            Com tempo para analisar a situação, um bom estrategista é capaz de propor soluções criativas que um líder precipitado jamais imaginaria.

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