Excerto do
conto “Sidinei Polina”.
"...
Mas é preciso,
antes das apresentações e da anunciação da maior das grandes encrencas de
Polina, relatar duas outras causas abraçadas por ele que mais o afamaram e mais
lhe trouxeram inimigos.
A primeira foi
o grande embate que teve com Pampam Deredeu, o mais famoso ateu da região.
Conhecido como Deredeu, o ateu, Pampam também era uma figura carimbada, por
muitos conhecido, principalmente pelos católicos, que tinham por ele muito
pavor.
- Deus não existe. Isso é babaquice! – disse
Pampam para Polina, na fila da lotérica “O rio que arde”. Sidinei, falando com
Tibiguiti, dissera para ele: Deus que me
ajude a ganhar essa acumulada!
- Se Deus não existe, o que é que tá no lugar
dele?- retrucou
Polina para Pampam.
- Se não existe, não tem nada no lugar dele, ô
meu!
Polina não aceitou:
- Meu querido, em todo este Universo, tudo é
lugar, o Universo é um lugar! E tem um lugar, em algum lugar deste Universo,
que tem um cara lá, no comando, desde ontonte. Se tu dizes que ele não está lá,
quem, o que é que tá naquele lugar que ele deveria estar ocupando?
- Não tem nada lá, em lugar nenhum!
- Não existe lugar nenhum, todos os lugares
existem, formando um só lugar, tudo é lugar, do lugarzão fenomenal ... se não
está em nenhum dos lugares, onde ele deveria estar?
- Mas quem disse que ele deveria estar, se ele
não existe!?
- Meu amigo, não há vácuo no Universo. Você não
pode dizer que ele não existe, pois assim você está criando um vácuo, que é o
lugar onde Deus deveria estar! Se você tira Deus do seu lugar, como não pode
haver vácuo, você tem que colocar alguma coisa no lugar. O que é que está lá,
no lugar de Deus?
- Esse lugar não existe, e
esse teu Deus também não!
- Seu Deredeu, então o senhor está matando Deus
e criando um vácuo?
O debate se estendeu até que Pampam fizesse suas
apostas e saísse, até meio apavorado, meio tonto. Deredeu continuou ateu, mas
deu no que deu: Polina tornou-se o simpático dos católicos, dos crentes em
Deus. E esta sua qualidade também chegou aos ouvidos do Pe. Virgo, engrandecendo-o,
valorizando-o mais ainda.
A história do
“chicote no piá” aconteceu na sala de espera da Policlínica Municipal. Dona
Ingri Dalemânia já não sabia o que fazer para aquietar seus filhos, gêmeos, que
tivera com Simeão Rútulo, seminarista de Azambuja. Piá com sete anos só sabe
pintar o sete, não é verdade? Pois parece que sabiam que autoridade
não é o que falta pra guri pequeno aprontar. Até que chegou Polina,
irritadíssimo, preocupadíssimo com o umbigo que inchara, que virara uma bolha roxa.
Polina pegou a
senha, sentou-se e arrepiou-se. Foi atingido. Um dos santinhos jogou-lhe a
chinela da mãe diretamente no estômago, bem pertinho do umbigão.
- É seu filho? – perguntou para Dona
Ingri, contendo-se, engolindo o fel da indignação.
- O senhor desculpe, mas não consigo acalmar
estes meninos.
- Ah, a senhora tem dois ... e são iguaizinhos
...
- Gêmeos, Venceslau e Perdeslau.
- Que mal lhe pergunte, como a senhora educou
estes moleq... estas gracinhas?
..."
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